segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Pernambuco Imortal, Imortal!

Ser pernambucano antes de tudo, não é uma condição geográfica, é um estado de espírito. Eu diria que ser pernambucano, vai além de um alter ego absurdo e sem nexo, ser pernambucano, é ter orgulho de seu estado em forma de suas belezas naturais, de sua cultura e de seu povo.

Ser pernambucano antes de qualquer coisa, é ter a chamada “Pernambucanidade” correndo em suas veias e em seus pensamentos a toda hora do dia. É um orgulho tão ensurdecedor quanto o grave das alfaias em noites de maracatu, é ferver de nostalgia ao pular um belo frevo, é levar a vida na cirandagem, é nunca perder tempo com coisas mesquinhas e fúteis.

É ser um brincante de cavalo marinho, nessa vida tão séria e cheia de armadilhas. Ao mesmo tempo, ser pernambucano é ter peito e coragem para tomar decisões difíceis na hora certa e assim como um bom baião ser forte e está sempre preparado para as voltas que a vida dá.


Pernambucano é aquela pessoa que faz questão de cantar o hino do estado (nem que seja só o refrão). É o sujeito que sente um forte arrepio na espinha quando vê a mais bela bandeira estadual tremulando na sacada de um dos inúmeros casarões seculares da cidade de Olinda. Ser pernambucano é se maravilhar ao olhar (mesmo que poluídos) a calmaria dos rios Capibaribe e Beberibe, ao encontrar o mar.

Em cada centímetro dos 98.311 km² história e cultura se encontram. No que tange a história temos um legado de revoltas e resistência que só vem a ressaltar o quanto nosso povo é guerreiro e heróico. Um bom exemplo disso é a Insurreição Pernambucana (1645-1654), a Guerra dos Mascates (1710-1714), a Revolução de 1817, a Confederação do Equador em 1824, a Guerra dos Cabanos (1832-1835) e a Revolução Praieira (1848-1849).




No campo cultural e informativo temos o mais antigo jornal em circulação da America Latina desde 1825 (o Diário de Pernambuco). Temos o melhor São João do mundo (apesar das controvérsias), temos também um circuito do frio invejável que trás atrações nacionais e locais de ótima qualidade para quem é do estado ou de fora curtir. A maior encenação teatral ao ar livre do mundo com o espetáculo “A paixão de Cristo” em Nova Jerusalém. No interior temos pastoris, quadrilhas juninas, bumbas meu boi, vaquejadas memoráveis como as realizadas em Surubim, cocos de roda em Arcoverde.

Por todo o estado temos caboclinhos, pastoris, desafios de violeiros e repentistas. Na zona da mata, cortejos de maracatus, toadas de cavalos marinho, cirandas. Não podemos esquecer, é claro, da famosa missa do vaqueiro, e dos carnavais ao som das orquestras populares que descem as ladeiras de Olinda arrastando multidões, do Galo da Madrugada (maior bloco do mundo) e os Papagús de Bezerros, dentre várias outras manifestações em nosso estado.


Na Literatura de Cordel temos como grande nome Manoel Monteiro, no repente Ivanildo Vila Nova. Em nosso estado até um castelo tem! (Castelo de Brennand em Recife). Nasci em um estado, não só em patrimônios naturais como a reserva natural de Fernando de Noronha e como também o parque natural do Catimbau em Buique e a pedra do Cachorro (Brejo da Madre de Deus) com seus 480 metros, um dos maiores picos do NE, mas também nasci em um estado economicamente próspero desde a época das capitanias hereditárias, quando junto com a capitania de São Vicente (hoje estado de São Paulo) foram às únicas que ascenderam economicamente no Brasil colônia.


Hoje em dia, economicamente falando também não fazemos feio, a maior feira ao ar livre da América Latina nos pertence (A feira de Caruaru), e por falar em feira, temos as grandiosas feiras da sulanca em Santa Cruz do Capibaribe, Caruaru e Toritama, o histórico mercado de São José em Recife que também é digno de ser lembrado.


Como pólo de artesanato existe o Alto do Moura (Caruaru), outra cidade de suma importância para o artesanato Pernambucano é Cachoeirinha (terra do couro e do aço) com suas celas e arreios. No Vale do São Francisco em Petrolina existe um pólo de exportações de frutas. Enfim, do açúcar ao artesanato Pernambuco é internacionalmente conhecido e nacionalmente respeitado pelo fato de injetar uma considerável quantia para os cofres do país.
Pernambuco é um garanhão reprodutor, pois, em seu território nasceram e se criaram figuras políticas, artísticas e culturais ilustríssimas como: Luiz Gonzaga, Virgolino Ferreira (o Lampião), Luiz Inácio “Lula” da Silva, Miguel Arraes, Lenine, Chico Science, Mestre Vitalino, Mestre Salustiano, Siba, o velho guerreiro Chacrinha, João Cabral de Melo Neto, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Joaquim Nabuco, Frei Caneca, Manuel Bandeira, Francisco Brennand, Gilberto Freyre, Josué de Castro, Capiba, Fred 04, Dominguinhos e tantos outros nomes que só vem a enriquecer e abrilhantar mais ainda nosso exuberante estado.

Não sei se existe algum Pernambucano que não se incomode quando escuta falarem mal de seu estado. Nosso povo tem orgulho de ser quem é e de vim de onde vem. Há quem nos defina como megalomaníacos, se é para ser um megalomaníaco Pernambucano… É, acho que sou isso mesmo.



Fonte: http://www.marcilohistoricizando.blogspot.com/
Marcilo Ramos (Jataubense e Historiador)

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